Na manhã de 7 de novembro de 1962, Richard Nixon falou aos jornalistas após perder a eleição para governador da Califórnia. Dois anos antes, havia sido derrotado na disputa pela Presidência. Sua despedida da imprensa parecia encerrar uma carreira pública. Nos seis anos seguintes, porém, continuou a trabalhar: apoiou candidatos republicanos, viajou ao exterior e reconstruiu a rede política que o levaria à vitória em 1968.
Nixon havia passado oito anos na vice-presidência, mas agora precisava trabalhar sem cargo e sem a certeza de outra candidatura. Retomou a advocacia em Nova York e continuou a participar da vida republicana. A biografia da Nixon Library acompanha esses anos em que a experiência de governo voltou a servir à organização política.
O trabalho nos anos sem mandato
Nixon apoiou candidatos republicanos mesmo quando o partido atravessava dificuldades. Em 1964, fez campanha durante a candidatura de Barry Goldwater. Nas eleições legislativas de 1966, viajou por dezenas de estados e ajudou a eleger pessoas que se tornariam aliados, dirigentes e delegados.
Cada campanha mantinha uma relação que a derrota poderia ter encerrado. Conservadores reconheciam suas credenciais anticomunistas e sua lealdade; moderados valorizavam sua experiência e suas possibilidades numa eleição nacional. Ao ajudar candidatos de diferentes regiões, Nixon formava a rede de apoio necessária para voltar à convenção.
As viagens internacionais mantinham seu contato com dirigentes estrangeiros. Nixon estudava as transformações da Guerra Fria e escrevia sobre política externa. Quando apresentou novamente sua candidatura, levou à disputa o conhecimento adquirido na vice-presidência e nos anos em que continuara a acompanhar os assuntos internacionais.
A nomeação em Miami
A disputa republicana reuniu Nixon, Nelson Rockefeller e Ronald Reagan, entre outros candidatos. Nixon venceu primárias importantes e chegou à convenção de Miami Beach com vantagem entre os delegados. Obteve a nomeação na primeira votação e escolheu o governador de Maryland, Spiro Agnew, para a vice-presidência.
No discurso de aceitação de 8 de agosto de 1968, falou a um país abalado pela guerra e pela violência. Os assassinatos de Martin Luther King Jr. e Robert Kennedy, os conflitos nas cidades e a divisão política davam à eleição uma gravidade particular.
Nixon prometeu restaurar a ordem e conduzir a política externa para uma era de negociação. Dirigiu-se aos “americanos esquecidos”: trabalhadores, empresários, servidores, jovens e velhos que desejavam ser ouvidos. Procurava reunir esses eleitores em torno de segurança, trabalho e paz.
Sua proposta combinava disposição para defender o país e interesse em negociar. O tema atravessaria a Presidência, especialmente nas relações com a China e a União Soviética.
Uma eleição entre três candidatos
Hubert Humphrey recebeu a nomeação democrata depois da desistência de Lyndon Johnson e do assassinato de Robert Kennedy. Precisava reunir um partido dividido pela Guerra do Vietnã e pela condução do governo. A convenção de Chicago expôs essa tensão nas ruas e entre os delegados.
George Wallace disputava pelo American Independent Party. Sua candidatura segregacionista conquistou apoio no Sul e disputou votos de eleitores descontentes em outras regiões. A presença de um terceiro candidato forte tornava a composição do Colégio Eleitoral especialmente importante.
Nixon conduziu uma campanha disciplinada, com mensagens sobre segurança, experiência e mudança na política externa. Humphrey ganhou terreno nas semanas finais; a disputa permaneceu apertada até a votação.
Os resultados do National Archives registram 301 votos eleitorais para Nixon, 191 para Humphrey e 46 para Wallace. Nixon recebeu cerca de 43,4% do voto popular, contra 42,7% de Humphrey. Wallace venceu cinco estados.
A vitória exigiu manter o apoio republicano e conquistar estados decisivos numa disputa entre três candidaturas. Nixon tomou posse em 20 de janeiro de 1969, seis anos depois da entrevista coletiva que parecera encerrar sua vida pública.
Da campanha à linguagem presidencial
A expressão “maioria silenciosa” tornou-se conhecida em 3 de novembro de 1969, num pronunciamento presidencial sobre o Vietnã. Em Miami, no ano anterior, Nixon falara dos “americanos esquecidos” e de uma voz quieta.
A linguagem de campanha procurava reunir uma coalizão eleitoral. Na Presidência, o apelo de 1969 buscava apoio para uma política de retirada gradual e transferência de responsabilidades ao Vietnã do Sul. A expressão ganhou sua função mais conhecida nesse segundo momento.
A dimensão humana do retorno
Em 1962, Nixon tinha duas derrotas recentes e nenhum mandato. Em 1968, chegou à convenção com delegados, aliados e uma candidatura preparada. Entre esses dois momentos estavam as campanhas por outros republicanos, a advocacia, as viagens e o estudo.
Sua perseverança aparece nesse uso dos anos difíceis. Nixon continuou a oferecer trabalho ao partido e a preparar suas ideias quando o retorno estava longe de ser garantido. Em janeiro de 1969, tomou posse com a experiência de governo que já possuía e com os aliados conquistados nas campanhas anteriores. O caminho de volta à Presidência havia sido construído ao longo desses seis anos.
