Quando perdeu a eleição para governador da Califórnia, em 1962, Richard Nixon parecia ter encerrado a carreira nacional. A derrota para John Kennedy em 1960 ainda estava próxima, e sua entrevista coletiva de despedida ofereceu à imprensa uma conclusão pronta. Seis anos depois, ele venceu a nomeação republicana e a Presidência.

O retorno não ocorreu por acaso. Nixon preservou relações partidárias, fez campanha para candidatos republicanos nas eleições intermediárias, ampliou seu repertório de política externa e construiu uma organização nacional. Em 1968, chegou à convenção como figura conhecida, experiente e aceitável para diferentes alas do partido.

Uma eleição em um país fraturado

A campanha ocorreu sob o impacto da Guerra do Vietnã, dos assassinatos de Martin Luther King Jr. e Robert Kennedy, de conflitos raciais e dos protestos na Convenção Democrata de Chicago. Lyndon Johnson desistira de concorrer à reeleição. Hubert Humphrey precisava defender o governo sem controlar sua política para a guerra.

No discurso de aceitação da nomeação republicana, Nixon organizou a campanha em torno de ordem pública, negociação no Vietnã e representação dos americanos que se sentiam ausentes da política televisionada. O apelo era amplo o bastante para reunir republicanos tradicionais, eleitores suburbanos, parte da classe trabalhadora e segmentos do Sul em processo de realinhamento.

Nixon, Humphrey e Wallace

George Wallace concorreu pelo American Independent Party e venceu cinco estados do Sul. Sua presença impediu que a eleição fosse uma disputa simples entre republicanos e democratas e tornou mais complexa qualquer leitura do realinhamento regional.

Os resultados oficiais mostram a estreiteza da vitória. Nixon recebeu cerca de 43,4% do voto popular, contra 42,7% de Humphrey, e conquistou 301 votos no Colégio Eleitoral. Wallace obteve aproximadamente 13,5% do voto popular e 46 votos eleitorais.

A diferença entre voto popular e Colégio Eleitoral ajuda a dimensionar o resultado. Nixon alcançou uma maioria eleitoral clara, mas ainda não possuía a coalizão dominante que apareceria em 1972.

A “maioria silenciosa” veio depois

A expressão ficou associada a Nixon por causa do discurso sobre a Guerra do Vietnã de 3 de novembro de 1969, já durante a Presidência. Usá-la como nome direto da campanha de 1968 produz um anacronismo.

O conceito, entretanto, desenvolvia um elemento presente na campanha: a tentativa de falar a eleitores que não participavam dos movimentos mais visíveis da década e que associavam estabilidade política a ordem, gradualismo e autoridade presidencial. Em 1969, Nixon deu a esse público um nome e o convocou a apoiar sua política para o Vietnã.

O significado do retorno

A eleição de 1968 demonstrou capacidade de reconstrução, disciplina organizacional e leitura de um eleitorado em transformação. Nixon converteu seis anos fora de cargos públicos em presença nacional, reuniu diferentes alas republicanas e se apresentou como liderança experiente para um país em crise.

A vitória esmagadora de 1972 não deve ser projetada retroativamente sobre 1968. Foram campanhas distintas, em contextos distintos. O feito de 1968 permanece relevante por outra razão: Nixon voltou de duas derrotas importantes, reorganizou sua posição dentro do Partido Republicano e venceu uma das eleições mais fragmentadas do século XX.