Yorba Linda e Whittier
Richard Milhous Nixon nasceu em 9 de janeiro de 1913, numa casa construída por seu pai em Yorba Linda, Califórnia. Era o segundo dos cinco filhos de Francis “Frank” Nixon e Hannah Milhous Nixon. A família era quaker. O sítio de cítricos não prosperou e, em 1922, os Nixon mudaram-se para a região de Whittier, onde Frank abriu um posto de gasolina e uma mercearia. Os filhos trabalhavam no comércio.
Dois irmãos morreram jovens: Arthur, aos sete anos, em 1925; Harold, aos 23, depois de anos de tuberculose, em 1933. As perdas, a disciplina religiosa e a situação financeira da família são fatos bem documentados. Explicações psicológicas retrospectivas sobre a vida política de Nixon, porém, variam conforme o biógrafo e não devem ser confundidas com o registro histórico.
Faculdade, Direito e Marinha
Nixon estudou no Whittier College entre 1930 e 1934. Participou de debates, teatro, governo estudantil e futebol e ajudou a fundar a Orthogonian Society, alternativa a um círculo estudantil mais estabelecido. Depois recebeu bolsa para a Duke University School of Law, onde presidiu a associação estudantil e integrou a revista jurídica. Formou-se em 1937 e voltou à Califórnia para advogar.
Conheceu Thelma “Pat” Ryan durante uma peça comunitária. Casaram-se em 1940 e tiveram duas filhas, Tricia e Julie. Em 1942, Nixon ingressou na Reserva Naval. Serviu como oficial de transporte aéreo no Pacífico Sul e depois trabalhou com contratos da aviação naval. Deixou o serviço ativo em 1946 como tenente-comandante.
Da Câmara à chapa de Eisenhower
Em 1946, republicanos do distrito de Whittier o convidaram a enfrentar o deputado democrata Jerry Voorhis. Nixon venceu e entrou na Câmara em janeiro de 1947. Atuou no Comitê de Educação e Trabalho, apoiou a lei Taft–Hartley, integrou a comissão que estudou o Plano Marshall e ganhou projeção no Comitê de Atividades Antiamericanas.
O caso Alger Hiss tornou-o figura nacional. Whittaker Chambers acusou o ex-funcionário do Departamento de Estado de participar de espionagem soviética; Hiss negou e acabou condenado por perjúrio, não por espionagem. A insistência de Nixon na investigação consolidou sua reputação anticomunista e seu estilo de combate político.
Em 1950, derrotou Helen Gahagan Douglas para o Senado numa campanha marcada por acusações de simpatia comunista. Dois anos depois, Dwight Eisenhower o escolheu para a chapa republicana. Uma controvérsia sobre um fundo de despesas ameaçou a candidatura. Nixon respondeu em rede nacional com o “discurso Checkers”, expondo as finanças da família e dizendo que conservaria o cachorro recebido como presente. A transmissão manteve-o na chapa.
Como vice-presidente entre 1953 e 1961, percorreu dezenas de países e assumiu missões de grande visibilidade. Em 1958, sua comitiva foi atacada em Caracas. Em 1959, debateu com Nikita Khrushchev numa exposição americana em Moscou, episódio conhecido como “debate da cozinha”.
1960, 1962 e o retorno
Nixon recebeu a nomeação republicana à Presidência em 1960. Perdeu para John Kennedy por menos de 120 mil votos populares. A eleição foi marcada pelos primeiros debates presidenciais televisionados e por disputas posteriores sobre votação em alguns estados; Nixon não contestou formalmente o resultado nacional.
Em 1962, concorreu ao governo da Califórnia e perdeu para Pat Brown. Sua entrevista coletiva no dia seguinte pareceu encerrar a carreira. Mudou-se para Nova York, retomou a advocacia e continuou ativo no partido. Fez campanha para candidatos republicanos, escreveu sobre política externa e acumulou apoio entre dirigentes estaduais. Em 1968, superou Nelson Rockefeller, Ronald Reagan e George Romney na disputa pela nomeação.
A eleição geral ocorreu durante a Guerra do Vietnã, os assassinatos de Martin Luther King Jr. e Robert Kennedy, conflitos raciais e a divisão democrata. Nixon venceu Hubert Humphrey por margem estreita no voto popular; George Wallace conquistou cinco estados do Sul. O resultado foi um retorno político extraordinário, mas não um mandato popular amplo.
Governo
Nixon assumiu em 20 de janeiro de 1969. No plano interno, sua administração combinou iniciativas presidenciais, leis produzidas pelo Congresso e reorganizações do Executivo. Criou a Environmental Protection Agency, sancionou a NEPA e as emendas ao Clean Air Act, ampliou a aplicação da dessegregação escolar no Sul e propôs uma reforma de assistência social que não foi aprovada. Em 1971, suspendeu a convertibilidade do dólar em ouro e adotou controles temporários de preços e salários.
No Vietnã, reduziu o número de tropas americanas e transferiu operações ao Vietnã do Sul sob a “vietnamização”. Ao mesmo tempo, ampliou bombardeios e estendeu a guerra ao Camboja e ao Laos. Os Acordos de Paris foram assinados em janeiro de 1973. A retirada americana não produziu paz duradoura: Saigon caiu em 1975.
A política externa produziu os resultados mais duradouros. A visita à China em fevereiro de 1972 rompeu duas décadas de isolamento entre Washington e Pequim. Em maio, Nixon foi a Moscou e assinou SALT I e o Tratado ABM com Leonid Brezhnev. A détente estabeleceu regras para parte da competição nuclear sem encerrar a rivalidade soviético-americana.
Watergate e renúncia
Em 1972, Nixon derrotou George McGovern em 49 estados e obteve quase 61% do voto popular. Em 17 de junho daquele ano, cinco homens haviam sido presos ao invadir a sede do Comitê Nacional Democrata no complexo Watergate. Eles tinham vínculos com o comitê de reeleição.
A investigação revelou pagamentos clandestinos, obstrução da Justiça e tentativas de usar órgãos do Estado para limitar o inquérito. Também expôs um quadro mais amplo: escutas sem mandado, ações dos “Encanadores” e operações contra adversários. Nixon não planejou pessoalmente a invasão conhecida, mas participou do encobrimento. As gravações da Casa Branca, entregues depois de uma disputa que chegou à Suprema Corte, documentaram seu envolvimento.
Em julho de 1974, o Comitê Judiciário da Câmara aprovou artigos de impeachment por obstrução da Justiça, abuso de poder e desobediência às intimações do Congresso. Sem apoio suficiente no Senado, Nixon anunciou a renúncia em 8 de agosto e deixou o cargo no dia seguinte. Gerald Ford assumiu e, em setembro, concedeu-lhe perdão federal amplo por atos que pudesse ter cometido durante a Presidência.
Depois da Presidência
Nixon voltou à Califórnia em isolamento político. Aos poucos, publicou memórias e livros de política internacional, recebeu dirigentes estrangeiros e recuperou espaço como analista. Presidentes republicanos e democratas ouviram suas avaliações sobre União Soviética, China e Europa; essa reabilitação parcial não apagou Watergate.
Pat Nixon morreu em 1993. Richard Nixon sofreu um derrame em abril de 1994 e morreu em Nova York, em 22 de abril, aos 81 anos. Foi sepultado ao lado da esposa em Yorba Linda.
Fontes de partida: Nixon Library/NARA, guia do acervo presidencial e Whittier College.