O Brasil na visão de Nixon
Richard Nixon governou os Estados Unidos entre 1969 e 1974, período em que o Brasil buscava ampliar sua economia e sua presença internacional. Território, população e posição regional davam ao país importância na política americana para a América do Sul.
Nixon decidiu examinar essa relação logo no início do mandato. O National Security Study Memorandum 67, de julho de 1969, determinou uma revisão dos programas americanos no Brasil: assistência, crédito, comércio, cooperação militar e desenvolvimento.
O estudo devia comparar os programas existentes, seus custos e alternativas para os cinco anos seguintes. A iniciativa levou a relação bilateral ao planejamento do Conselho de Segurança Nacional.
Consulta no mais alto nível
Em dezembro de 1971, Nixon recebeu Emílio Garrastazu Médici na Casa Branca. No memorando da reunião, aparece sua descrição do Brasil como país que representava “metade da América do Sul”.
Nixon explicou que desejava ouvir o presidente brasileiro antes das viagens a Pequim e Moscou, como faria com outros amigos e aliados. A conversa incluiu investimento estrangeiro e avaliações sobre países vizinhos. Brasília tinha uma oportunidade de apresentar seus interesses diretamente ao presidente americano.
Médici governava sob o regime militar, com o Ato Institucional nº 5 em vigor. Esse contexto fazia parte das avaliações diplomáticas e dos debates sobre assistência nos Estados Unidos. Os documentos registram decisões de governo e devem ser lidos com atenção ao momento em que foram produzidos.
Cooperação econômica
Crédito, mercados e tecnologia eram objetivos importantes para o Brasil. A relação com Washington mobilizava Eximbank, programas de assistência, empresas e órgãos de comércio.
O memorando de Kissinger sobre a ajuda de 1970 registra uma decisão sobre essas alternativas. Em nome de Nixon, Kissinger autorizou a negociação de programas de até US$ 112 milhões e adiou US$ 75 milhões em empréstimos de programa até a revisão da política. A autorização para negociar preservava a assistência e reservava a decisão sobre parte dos recursos.
No comércio, café e têxteis ocupavam a agenda. A pesca do camarão envolvia a reivindicação brasileira de um mar territorial de 200 milhas e a posição americana sobre navegação. Esses assuntos exigiam negociação constante entre interesses nacionais.
A preparação da reunião com Delfim Neto, em julho de 1972, menciona acordos concluídos sobre camarão, têxteis e energia atômica. Recomenda também uma conversa sobre os preços do café. É um memorando de preparação, distinto do registro de uma reunião; o FRUS confirma o encontro pelo diário presidencial.
A diplomacia brasileira
O Brasil conduzia seus próprios projetos. Buscava ampliar exportações, obter tecnologia e preservar liberdade de decisão. Seus diplomatas avaliavam a proximidade com os Estados Unidos a partir dessas prioridades.
A diferença de poder entre os países tornava a negociação exigente. Ainda assim, Brasília tinha interesses e instrumentos próprios, e o contato com Washington era uma das formas de aumentar suas possibilidades internacionais.
A consulta a Médici e as decisões sobre ajuda e comércio se inseriam nessa negociação entre interesses nacionais. Nixon dedicou atenção presidencial ao país; as autoridades brasileiras procuravam ampliar suas possibilidades econômicas e diplomáticas.
Ler os documentos
O capítulo brasileiro do Foreign Relations of the United States reúne memorandos, telegramas e avaliações que permitem acompanhar a política americana. Cada registro tem autor, data e finalidade; compará-los ajuda a distinguir propostas, conversas e decisões.
No acervo do nixonbrazil, a entrada Brasil nos anos Nixon conduz à coleção. O artigo Nixon e o Brasil: o reconhecimento do peso brasileiro apresenta a relação com mais detalhe.
O estudo de 1969, a consulta de 1971 e os acordos mencionados em 1972 permitem acompanhar o reconhecimento do peso brasileiro em atos de governo. São um ponto de partida para conhecer a atenção que Nixon dedicou ao país e o que os dois governos procuravam alcançar.